PROFISSÃO DOCENTE: GÊNERO, RAÇA E REPRESENTAÇÕES
A profissão docente no Brasil é uma das bases da educação. Todos, sem exceção, reconhecem a necessidade de valorização dessa profissão, pois o professor é essencial no processo de aprendizagem do educando. A melhoria na educação provem de exigências de políticas internacionais. Mas, apesar de todo esforço para a melhoria na educação, alguns questionamentos são levantados com relação a esta atividade. Dentre eles destacamos a questão do gênero, da classe e da representação docente.
Em primeiro lugar, gostaríamos de descrever sobre a relação de gênero. Quando se aborda esse assunto na educação, tem-se uma concepção errônea de que essa profissão deve ser exercida por mulheres, principalmente nos anos inciais da escolarização infantil. Outro ponto que se afirma é que a feminização da profissão docente acarretou a desvalorização da mesma. Mas segundo Elizabeth Ângela do Santos em seu artigo que tem como título “profissão docente: uma questão de gênero?”, isso se deu pelo processo histórico da educação no Brasil. Para ela, o processo de desvalorização da profissão docente, não se dá pela feminização da profissão, mas por
fatores intrinsecamente internos do país, pois com a desvalorização salarial da profissão docente e o surgimento de outras profissões, tidas como mais difíceis e bem melhor remuneradas, os homens acabaram por migrar para elas. Sendo uma profissão que exigia bem menos esforço físico, e vista como uma extensão do lar, passou a ser exercidas por mulheres. Dá aulas, para elas, era fugir da submissão que o lar lhes impunham. Mas em seu inicio a ação pedagógica era exercida por homens, pois só eles detinham o direito ao acesso à educação formal. Outra coisa que a autora coloca é que gênero, não se refere apenas ao sexo feminino, e que a depreciação do Gênero feminino foi um processo histórico, ou seja, construídos pelos homens, principalmente, naqueles períodos históricos em que o machismo prevaleceu e as conseqüências disto nos sofremos até hoje.
Questões de classe
A pessoa não nasce professor, ela se torna com o a formação e a sua práxis. O cotidiano das aulas aos poucos elabora um perfil para o professor, que a sociedade entende e exige como sendo a representação e a identidade do profissional docente de educação. O professor passa a ser um modelo de manutenção do status e da ordem social e para isso ele tem que ser o exemplo, tendo portanto que doar a sua vida pessoal em prol da profissão.
Os três componentes do currículo permeiam a vida deste profissional: o espaço, o tempo e o conteúdo.
O professor trabalha o dia inteiro na escola, mas quando chega em casa, a faz uma extensão do seu trabalho docente. Ler muito, planeja, corrige avaliações, pesquisa, etc. E assim a casa torna-se ambiente de trabalho e o ambiente de trabalho sua casa. O seu ambiente está restrito a sua profissão. Não sobra tempo para si. Tem que se adaptar ao espaço que as aulas toma em sua vida. O seu tempo no ambiente escolar é fragmentado, assim como o conteúdo que tem que fazer os alunos a aprenderem.
Segundo Vânia Cecilia Sacco, em seu artigo “identidade e representação da profissão docente: a literatura como documento na pesquisa em educação”, a identidade e representação da profissão docente se dá por dois aspectos: a ação e a linguagem.
No decorrer de seu artigo faz uma análise de três pensadores que interpretam a obra de Érico Veríssimo “caminhos cruzados”: Goffman, Bakhtin e Herbamas. Esses três pensadores fazem um leitura do personagem professor Clarismundo, no qual descrevem três características da identidade e representação do docente.
A primeira questão levantada é por Goffman, que comenta sobre o espaço que o professor Clarismundo vive. Um ambiente obscuro, pequeno e isolado do mundo ao seu redor, pois as obrigações da profissão lhe consome todo o tempo. Destaca também a aparência, pois o professor-personagem não prioriza como sendo o essencial e isso faz com que seu alunos o olhem com indiferença e o rejeite. Ele diz que a aparência é importante, pois os alunos estão constantemente fazendo uma leitura de seu professor. Aqui destaca-se dois pontos da identidade e representação do professor: como se veste e onde vive.
O segundo ponto, que foi discutido por Bakhtin, evidencia que o personagem – professor tem cinco pontos que caracterizam sua construção interna ou seja o pessoal: agir metódico, a pontualidade (o tempo), afastamento do mundo, medo e desconforto, e o conhecimento como forma de “prazer e poder”. Aqui, o pensador destaca o papel da comunicação desse profissional. O professor fala com suas ações. É neste contexto de organização da exigência da profissão que ele vai construindo sua representação.
Em terceiro, e destacada por Harbemas, demostrar a importância do agir comunicativo de formas verbais, ou seja, a fala e a gesticulação. O processo da fala se efetiva em superioridade do professor pelo poder que lhe é dado para interferir na vida social e a reprovação é o pilar desse poder, pois ela pode mudar a vida de um aluno. Os gestos do professor contextualizam a compreensão da fala.
Em suma, entende-se que a representação da profissão docente se fundamenta no que o profissional é para os outros, o que é para si e como se comunica com o mundo que vive. Portanto, ser professor é um personagem que o profissional toma para sua profissão e sua vida, pois a avaliação do tipo de profissional preparado parado atuar na educação é feito pela sociedade.
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