Declaração Universal dos Direitos Linguísticos
A Declaração Universal dos Direitos Linguísticos (também conhecida como Declaração de Barcelona) é um documento assinado pela UNESCO, o PEN (clube), e váriasorganizações não-governamentais em 1996 para apoiar o direito linguístico, especialmente os de línguas ameaçadas de extinção. O documento foi aprovado na conclusão da Conferência Mundial sobre Direitos Linguísticos realizada 06 a 09 de junho de 1996, em Barcelona, Espanha.1 Essa declaração foi construída em alinhamento ao que se recomendou em 1987, no documento conhecido como a "Declaração do Recife", elaborado em 1987 em congresso realizado na Faculdade de Direito do Recife, da UFPE, na cidade do Recife, capital de Pernambuco, Brasil. http://pt.wikipedia.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_Universal_dos_Direitos_Lingu%C3%ADsticos
CAFUNDÓ
A comunidade remanescente de quilombo do Cafundó é constituída por cerca de 18 famílias e localiza-se no município de Salto de Pirapora, no Estado de São Paulo.
"LÍNGUA AFRICANA"
A "língua africana" falada pelos moradores do Cafundó é um dialeto conhecido como falange ou cupópia. Possui um vocabulário limitado constituído por 140 palavras aproximadamente. A maior parte delas tem origem na língua africana chamada quimbundo, da família banto, falada principalmente em Angola.
Conforme explicam os pesquisadores Peter Fry e Carlos Vogt, o uso da língua se dá através de um aportuguesamento, principalmente na estrutura sintática e também do uso de palavras da língua portuguesa no meio das frases. Por exemplo: vimbundo está cupopiando no injó do tata - que quer dizer: "o homem preto está falando na casa do pai".
Ainda segundo os mesmos pesquisadores, outro recurso de que esta língua dispõe é o de criar metáforas e metonímias para expressar algo que não é contemplado no vocabulário original. Como nos casos de:
Conforme explicam os pesquisadores Peter Fry e Carlos Vogt, o uso da língua se dá através de um aportuguesamento, principalmente na estrutura sintática e também do uso de palavras da língua portuguesa no meio das frases. Por exemplo: vimbundo está cupopiando no injó do tata - que quer dizer: "o homem preto está falando na casa do pai".
Ainda segundo os mesmos pesquisadores, outro recurso de que esta língua dispõe é o de criar metáforas e metonímias para expressar algo que não é contemplado no vocabulário original. Como nos casos de:
- tenhora da mucanda - que quer dizer "enxada da escrita" e é utilizada para denominar caneta.A cupópia ou falange é falada em situações diversas: quando se quer dizer algo em segredo - na frente de pessoas que desconhecem a língua -, em diálogos cotidianos ou ainda quando é ensinada às crianças da comunidade.
- cambererá do vava - que quer dizer "carne da água" e é utilizada para denominar peixe.
- nangá do viso - que quer dizer "roupa dos olhos" e é utilizada para denominar óculos.
A cupópia é uma importante forma de preservação da identidade cultural da comunidade.
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