terça-feira, 23 de setembro de 2014

Leitura e interpretação de texto - aula 23 - Argumentação (parte 1)

Teoria da argumentação

teoria da argumentação, ou simplesmente argumentação, é o estudo interdisciplinar de como conclusões podem ser alcançadas através do raciocínio lógico; ou seja, argumentar é afirmar algo, seguramente ou não, baseado em premissas. Isso inclui as artes e as ciências do debate civil, o diálogo, o bate-papo e a persuasão. Engloba o estudo das regras de inferência, da lógica e das regras de procedimento, tanto em cenários artificiais quanto no mundo real. A teoria da argumentação inclui o debate e anegociação, das quais possuem interesse em alcançar conclusões mutuamente aceitáveis. Também engloba o diálogo erístico, o ramo do debate social em que a vitória sobre um oponente é o objetivo principal. Esta arte e ciência é com frequência o meio por qual algumas pessoas protegem suas crenças ou seus interesses num dialogo racional, em linguagem comum, e durante o processo de defender suas idéias. A Argumentação é usada na advocacia, por exemplo em tribunais, para provar ou refutar a validade de certos tipos de evidências. Além disso, estudiosos da teoria da argumentação estudam as razões post hoc (após o ato concluído) mediante as quais um indivíduo pode justificar decisões que originalmente poderiam ter sido realizadas de forma irracional.

Motivações

Desde a antiguidade, a argumentação tem sido objeto de interesse de todas as áreas em que se pratica a arte de falar e escrever de forma persuasiva. Nos dias de hoje, o estudo da argumentação tem recebido atenção devido à grande influência que os meios de comunicação têm sobre a sociedade. Esta influência se manifesta na abordagem de estratégias argumentativas para convencer o público sobre certos valores e idéias. Exemplos disso são os discursos argumentativos relacionados com a publicidade e com o pensamento político. Assim, então, a principal motivação do estudo da argumentação (por parte dos argumentadores) consiste em descobrir se o argumento apresentado éverossímil, ou seja, se o objeto da argumentação está disposto a aceita-la.

Componentes chave da argumentação

  • Entender e identificar argumentos, estando eles explícitos ou implícitos, e os objetivos dos participantes nos diferentes tipos de diálogos.
  • Identificar as premissas de que as conclusões são derivadas.
  • Estabelecer o "ônus da prova" – determinar quem fez a afirmação inicial e, portanto, quem é o responsável por prover evidencias que tornam a sua posição digna de aceitação.
  • Para o responsável pelo "ônus da prova", o advogado, para combinar evidências de sua posição a fim de convencer ou forçar a aceitação do oponente. O método pelo qual isso é isto é feito é produzir um argumento válido, sólido e convincente, desprovido de fraquezas e não facilmente atacado.
  • Em um debate, o cumprimento do ônus da prova cria um ônus da tréplica. O sujeito deve tentar identificar falhas no raciocínio no argumento do oponente, para atacar as razões/premissas do argumento, para fornecer contra exemplos se possível, para identificar alguma falácia, e para mostrar por que uma conclusão não pode ser derivada das razões apresentadas pelo seu argumento.
Estrutura interna dos argumentos Normalmente um argumento possui uma estrutura interna, compreendendo o seguinte
  1. conjunto de pressupostos ou premissas
  2. um método de raciocínio ou dedução e
  3. uma conclusão ou ponto.
Um argumento deve ter pelo menos duas premissas e uma conclusão. Frequentemente a lógica clássica é usada como o método de raciocínio em que a conclusão é inferida logicamente dos pressupostos. Um desafio é que se um conjunto de pressupostos é inconsistente, então nada pode ser inferido logicamente da inconsistência. Por isso é comum exigir que o conjunto de pressupostos apresentado seja consistente. É também uma boa prática exigir que o conjunto de pressupostos ser o minimo possível, com relação ao conjunto de inclusão, necessário para inferir o consequente. Tais argumentos são chamados argumentos MINCON, abreviação para mínimo consistente. Esse tipo de argumentação tem sido aplicada para os campos do direito e da medicina. Uma segunda escola de argumentação investiga argumentos abstratos, onde o argumento em si é considerado um termo primitivo, por isso nenhuma parte da estrutura interna dos argumentos é levada em conta. Na sua forma mais comum, a argumentação envolve um indivíduo e um interlocutor ou um oponente engajado em um dialogo, cada um defendendo diferentes posições e tentando convencer o outro. Outros tipos de diálogos em além do convencimento são a erística, busca de informações, investigaçãonegociaçãodeliberação e o método dialético (Douglas Walton). O método dialético ficou famoso por causa de Platão em suas histórias sobre Sócrates questionando criticamente vários personagens, entre eles figuras históricas.

Argumentação e os fundamentos do conhecimento

A teoria da argumentação teve suas origens na teoria do conhecimento (epistemologia), pertencente ao campo da filosofia, que demandou a procura de bases para as configurações (lógica, leis que regem o abstrato) e os materiais (física, leis que regem o concreto) de um sistema universal de conhecimento. Mas estudiosos do argumento rejeitaram gradualmente a filosofia sistemática de Aristóteles e o idealismo de Platão e Kant. Eles questionaram e descartaram totalmente a ideia de que as premissas dos argumentos recebem sua solidez do sistema filosófico formal. O seu campo assim foi expandido.1 O primeiro ensaio de Karl R. Wallace, "A Substância da Retórica: Boas Razões" no Quarterly Journal of Speech 44 (1963), levou muitos estudiosos a estudar a "argumentação de mercado" – os argumentos comuns das pessoas comuns. O primeiro ensaio da argumentação de mercado foi feito por Ray Lynn Anderson e David C. Mortensen, "Lógica e Argumentação de Mercado" no Quarterly Journal of Speech 53 (1967): 143-150.2 3Essa linha de pensamento levou a uma aliança natural com os desenvolvimentos mais recentes na sociologia do conhecimento.4 Alguns estudiosos obtiveram conexões com desenvolvimentos recentes na filosofia, isto é, o pragmatismo de John Dewey e Richard Rorty. Rorty tinha chamado esta mudança de enfase de "a virada linguística". Nesta nova abordagem de argumentação híbrida é usada com ou sem evidência empírica para estabelecer conclusões convincentes sobre problemas que são de natureza moralcientífica, epistêmica, ou de uma natureza que a ciência sozinha não pode responder. Fora do pragmatismo e de muitos desenvolvimentos intelectuais nas ciências humanas e sociais, teorias da argumentação "não-filosóficas" cresceram o qual localizou os campos dos argumentos formal e material em campos intelectuais particulares. Estas teorias incluemlógica informal, epistemologia social, etnometodologia, atos de fala, a sociologia do conhecimento, a sociologia da ciência, e a psicologia social. Essas novas teorias não são não-lógicas ou anti-lógicas. Elas procuram coerência lógica na maioria das comunidades de discurso. Essas teorias são portanto costumeiramente rotuladas como "sociológicas" em que eles focam nos campos sociais do conhecimento.

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