domingo, 28 de setembro de 2014

Leitura e produção de texto - aula 28 - Leitura, estilo pessoal e os futuros textos

A - AUTORIA
B - BIBLIOTECA
C - CURIOSIDADE
D - DEDICAÇÃO
E - ESTILO

Pessoal ou impessoal

Todo autor de um texto científico já deve ter se perguntado: “devo escrever na primeira pessoa ou adotar um estilo mais impessoal?” E, de fato, essa é uma questão que aparece na maioria dos textos que eu reviso.

Certa vez, conversando um professor de metodologia científica, ouvi o seguinte conselho: “O trabalho é seu? Então assuma como suas as ideias que estão lá.” Por outro lado, muitos orientadores preferem que o texto de seus orientandos seja escrito do modo mais impessoal possível.

A discussão é grande a esse respeito e as normas da ABNT não dizem (nem deveriam dizer, aliás) em qual pessoa deve ser escrito o texto.

Há quem prefira o uso da primeira pessoa do singular, pois o texto foi escrito por alguém — que deve assumi-lo como seu. É isso o que faço neste texto (em todo caso, não é um artigo científico).

Por outro lado, há uma ideia de neutralidade muito arraigada nos meios acadêmicos. Segundo essa concepção, o autor deve dissimular sua opinião por meio de verbos na terceira pessoa — do singular ou do plural —, geralmente acompanhados do pronome “se”. Assim:

(1) “Neste trabalho, discute-se o tema da prescrição no direito tributário.”

(2) “No capítulo seguinte, analisar-se-ão [ou: serão analisadas] as implicações da análise gráfica para o mercado acionário.”

(3) “O presente capítulo trata dos efeitos da logística reversa na moderna concepção da administração empresarial.”

Com efeito, isso confere um estilo objetivo ao texto. Contudo, pode causar certa confusão, principalmente quando o autor passa a citar as discussões de outros estudos:

(4) “Este trabalho faz uma revisão bibliográfica dos estudos sobre o movimento sindical brasileiro a partir da redemocratização. A princípio, aborda-se o conjunto de trabalhos desenvolvidos no âmbito do curso de pós-graduação da Universidade […]. Um dos primeiros trabalhos a tratar da questão foi a tese de doutorado de [...], intitulada [...]. Esse trabalho discorre sobre as grandes greves ocorridas na região do ABCD paulista nos últimos anos do período ditatorial. Trata-se de um tema de grande interesse para a compreensão do período em questão.”

Sem dúvida, é relativamente fácil depreender do contexto quando o autor fala do seu estudo e quando fala da tese que está citando. Mesmo assim, algumas ambiguidades poderiam ser evitadas: por exemplo, substituindo-se a palavra “trabalho”, na penúltima frase do exemplo, por “tese” — além de ser necessário reescrever a última frase. Como se vê, o uso da terceira pessoa requer um cuidado maior.

Por fim, há quem recomende a primeira pessoa do plural. Semanticamente, a primeira pessoa do plural é mais impessoal do que a primeira pessoa do singular, podendo ser usada sem as precauções da terceira pessoa.

De qualquer maneira, acima de tudo o que importa é seguir o mesmo padrão no texto inteiro. Ou seja: se o autor começou escrevendo na primeira ou na terceira pessoa, deve seguir escrevendo assim até o fim. Isso demonstra coerência — e esse é um dos maiores valores de um trabalho.
http://www.revisereveja.com.br/2010/10/pessoal-ou-impessoal.html

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Leitura e Interpretação de Texto - aula 26 - A produção textual com autoria em aulas de Ciências

Produção de texto: uma questão de diálogo

Artigo

2006-09-12
Por Por Ivana Quintão de Andrade *
“Aprender a escrever é, em grande parte, se não principalmente, aprender a encontrar ideias e concactená-las, pois, assim como não é possível dar o que não se tem, não se pode transmitir o que a mente não criou ou não aprovisionou...” (Othon Garcia)

A produção textual é uma actividade verbal, empreendida pelo falante, com fins sociais, isto é, o autor de um texto procura transmitir seus propósitos ao destinatário, por meio do trabalho com a palavra escrita. Desse modo, considerando que o texto é a materialidade linguística que permeia a relação autor-leitor, podemos afirmar que a produção de texto é umaactividade dialógica, visto que os interactuantes, de maneiras diversas, se acham envolvidos nesse processo.



* Ivana Quintão de Andrade é professora de Língua Portuguesa na Faculdade Paraíso, no Rio de Janeiro. http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=4176&op=all


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Leitura e produção de textos - aula 25 - Problemas de redação

CRITÉRIOS GERAIS PARA CORREÇÃO DE REDAÇÃO


São quatro aspectos ou critérios que quaisquer bancas examinadoras de Vestibulares, ENEM e Concurso corrigem as redações:

1. Aspecto Estético (tem caráter obrigatório, por se tratar de um documento, de um texto formal. Não se ganha ponto pelo acerto, só desconta!)

·        Nunca rasure ou borre;
·        Sobreposições;
·        Margens regulares;
·        Paragrafação bem feita;
·        Local do título;
·        Observe a quantidade de linhas solicitadas na prova;
·        Legibilidade (Cuidado! Só este aspecto estético pode eliminar o seu texto).

2. Aspecto Gramatical (todo o componente responsável pela expressão, as regras, as características formais da língua)

·        Faça a concordância e a flexão correta dos tempos verbais;
·        Não fragmente a frase, separando o sujeito do predicado;
·        Cuidado com a separação silábica;
·        Cuidado com a pontuação, acentuação e ortografia;
·        Use corretamente os pronomes;
·        Eco textual;
·        Termos coloquiais;
·        Emprego equivocado do gerúndio.

3. Aspecto Estilístico (Maneira, estilo, jeito que cada um escreve. Pode-se pedir o mesmo tema para milhares de estudantes e cada um fará o seu próprio texto!)

·        Evite repetição de palavras;
·        Não escreva períodos muito curtos (que travam o texto) nem muito longos (que possibilitam o erro);
·        Cuidado com o abuso do “e”, “mas”, “que”, “pois”;
·        Não seja prolixo;
·        Marcas da Oralidade;
·        Cuidado com o internetês ou com siglas;
·        Uso inadequado do “onde”;
·        Uso de palavras desnecessárias ou ideias repetidas.

4. Aspecto Estrutural (Critérios mais valiosos, desconta e elimina em quase todos eles)
·        Observe a estrutura solicitada;
·        Organização das ideias;
·        Não fuja do tema proposto;
·        Não faça os parágrafos/ideias incompletos, ingênuos, intimistas, racistas, etc.;
·        Não escreva em verso ou a lápis;
·        Informatividade conta muito ponto;
·        A originalidade é fundamental;
·        Cuidado com a coerência e coesão, regras de ouro na dissertação.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Leitura e interpretação de texto - aula 24 - Argumentação (parte 2)

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http://capinaremos.com/files/2011/06/babaca.jpg

Ética jornalística

Jornalismo: questão de ética
Antes de falar qualquer coisa sobre a ética no jornalismo, precisamos refletir sobre a ética na sociedade brasileira. É possível cobrar dos jornalistas, que antes de tudo são humanos, que sejam incorruptíveis no meio de tantas pessoas que estão acostumadas a corrupção, seja guardando lugar na fila ou desviando milhões de obras públicas ? Cada um sabe e responde por seus atos, e, antes de colocar toda a culpa de tudo que ocorre no mundo nos jornalistas, deve fazer uma auto-avaliação e ver se quem acusa também não pode ser acusado.
Com essa reflexão feita, pode-se começar a discutir a ética no jornalismo em si. Segundo o Aurélio, a ética é a ciência da moral. Assim sendo, ela deve estudar os bons costumes, o cabível, o que não agride nem denigre algo ou alguém. Uma conduta ética é aquela que respeita tudo isso; e um código de ética é uma série de preceitos que pregam o respeito aos valores de uma sociedade. Uma série de pesquisas e entrevistas mostra os resultados do que é ética no jornalismo.
Em entrevista, a jornalista Carla Pollake deu afirmações contundentes e polêmicas sobre a ética na mídia. Carla diz que a ética do profissional fica em segundo plano quando é comparada com os interesses da emissora, sua empregadora. Ao entrar num grupo de comunicação, o profissional tem uma série de preceitos éticos que ele carrega consigo, que podem não bater com os do grupo. Quando ambos entram em conflito, o jornalista ou se sujeitará ao que a empresa diz ou fará grande alarde e tem grandes chances de ser demitido da emissora, por pregar algo contra o que a mesma apregoa. Assis Chateaubriand, grande comunicador da primeira metade do século XX, ilustrava isso com uma simples frase: ” Se quer ter opinião, compre um jornal “.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Leitura e interpretação de texto - aula 23 - Argumentação (parte 1)

Teoria da argumentação

teoria da argumentação, ou simplesmente argumentação, é o estudo interdisciplinar de como conclusões podem ser alcançadas através do raciocínio lógico; ou seja, argumentar é afirmar algo, seguramente ou não, baseado em premissas. Isso inclui as artes e as ciências do debate civil, o diálogo, o bate-papo e a persuasão. Engloba o estudo das regras de inferência, da lógica e das regras de procedimento, tanto em cenários artificiais quanto no mundo real. A teoria da argumentação inclui o debate e anegociação, das quais possuem interesse em alcançar conclusões mutuamente aceitáveis. Também engloba o diálogo erístico, o ramo do debate social em que a vitória sobre um oponente é o objetivo principal. Esta arte e ciência é com frequência o meio por qual algumas pessoas protegem suas crenças ou seus interesses num dialogo racional, em linguagem comum, e durante o processo de defender suas idéias. A Argumentação é usada na advocacia, por exemplo em tribunais, para provar ou refutar a validade de certos tipos de evidências. Além disso, estudiosos da teoria da argumentação estudam as razões post hoc (após o ato concluído) mediante as quais um indivíduo pode justificar decisões que originalmente poderiam ter sido realizadas de forma irracional.

Motivações

Desde a antiguidade, a argumentação tem sido objeto de interesse de todas as áreas em que se pratica a arte de falar e escrever de forma persuasiva. Nos dias de hoje, o estudo da argumentação tem recebido atenção devido à grande influência que os meios de comunicação têm sobre a sociedade. Esta influência se manifesta na abordagem de estratégias argumentativas para convencer o público sobre certos valores e idéias. Exemplos disso são os discursos argumentativos relacionados com a publicidade e com o pensamento político. Assim, então, a principal motivação do estudo da argumentação (por parte dos argumentadores) consiste em descobrir se o argumento apresentado éverossímil, ou seja, se o objeto da argumentação está disposto a aceita-la.

Componentes chave da argumentação

  • Entender e identificar argumentos, estando eles explícitos ou implícitos, e os objetivos dos participantes nos diferentes tipos de diálogos.
  • Identificar as premissas de que as conclusões são derivadas.
  • Estabelecer o "ônus da prova" – determinar quem fez a afirmação inicial e, portanto, quem é o responsável por prover evidencias que tornam a sua posição digna de aceitação.
  • Para o responsável pelo "ônus da prova", o advogado, para combinar evidências de sua posição a fim de convencer ou forçar a aceitação do oponente. O método pelo qual isso é isto é feito é produzir um argumento válido, sólido e convincente, desprovido de fraquezas e não facilmente atacado.
  • Em um debate, o cumprimento do ônus da prova cria um ônus da tréplica. O sujeito deve tentar identificar falhas no raciocínio no argumento do oponente, para atacar as razões/premissas do argumento, para fornecer contra exemplos se possível, para identificar alguma falácia, e para mostrar por que uma conclusão não pode ser derivada das razões apresentadas pelo seu argumento.
Estrutura interna dos argumentos Normalmente um argumento possui uma estrutura interna, compreendendo o seguinte
  1. conjunto de pressupostos ou premissas
  2. um método de raciocínio ou dedução e
  3. uma conclusão ou ponto.
Um argumento deve ter pelo menos duas premissas e uma conclusão. Frequentemente a lógica clássica é usada como o método de raciocínio em que a conclusão é inferida logicamente dos pressupostos. Um desafio é que se um conjunto de pressupostos é inconsistente, então nada pode ser inferido logicamente da inconsistência. Por isso é comum exigir que o conjunto de pressupostos apresentado seja consistente. É também uma boa prática exigir que o conjunto de pressupostos ser o minimo possível, com relação ao conjunto de inclusão, necessário para inferir o consequente. Tais argumentos são chamados argumentos MINCON, abreviação para mínimo consistente. Esse tipo de argumentação tem sido aplicada para os campos do direito e da medicina. Uma segunda escola de argumentação investiga argumentos abstratos, onde o argumento em si é considerado um termo primitivo, por isso nenhuma parte da estrutura interna dos argumentos é levada em conta. Na sua forma mais comum, a argumentação envolve um indivíduo e um interlocutor ou um oponente engajado em um dialogo, cada um defendendo diferentes posições e tentando convencer o outro. Outros tipos de diálogos em além do convencimento são a erística, busca de informações, investigaçãonegociaçãodeliberação e o método dialético (Douglas Walton). O método dialético ficou famoso por causa de Platão em suas histórias sobre Sócrates questionando criticamente vários personagens, entre eles figuras históricas.

Argumentação e os fundamentos do conhecimento

A teoria da argumentação teve suas origens na teoria do conhecimento (epistemologia), pertencente ao campo da filosofia, que demandou a procura de bases para as configurações (lógica, leis que regem o abstrato) e os materiais (física, leis que regem o concreto) de um sistema universal de conhecimento. Mas estudiosos do argumento rejeitaram gradualmente a filosofia sistemática de Aristóteles e o idealismo de Platão e Kant. Eles questionaram e descartaram totalmente a ideia de que as premissas dos argumentos recebem sua solidez do sistema filosófico formal. O seu campo assim foi expandido.1 O primeiro ensaio de Karl R. Wallace, "A Substância da Retórica: Boas Razões" no Quarterly Journal of Speech 44 (1963), levou muitos estudiosos a estudar a "argumentação de mercado" – os argumentos comuns das pessoas comuns. O primeiro ensaio da argumentação de mercado foi feito por Ray Lynn Anderson e David C. Mortensen, "Lógica e Argumentação de Mercado" no Quarterly Journal of Speech 53 (1967): 143-150.2 3Essa linha de pensamento levou a uma aliança natural com os desenvolvimentos mais recentes na sociologia do conhecimento.4 Alguns estudiosos obtiveram conexões com desenvolvimentos recentes na filosofia, isto é, o pragmatismo de John Dewey e Richard Rorty. Rorty tinha chamado esta mudança de enfase de "a virada linguística". Nesta nova abordagem de argumentação híbrida é usada com ou sem evidência empírica para estabelecer conclusões convincentes sobre problemas que são de natureza moralcientífica, epistêmica, ou de uma natureza que a ciência sozinha não pode responder. Fora do pragmatismo e de muitos desenvolvimentos intelectuais nas ciências humanas e sociais, teorias da argumentação "não-filosóficas" cresceram o qual localizou os campos dos argumentos formal e material em campos intelectuais particulares. Estas teorias incluemlógica informal, epistemologia social, etnometodologia, atos de fala, a sociologia do conhecimento, a sociologia da ciência, e a psicologia social. Essas novas teorias não são não-lógicas ou anti-lógicas. Elas procuram coerência lógica na maioria das comunidades de discurso. Essas teorias são portanto costumeiramente rotuladas como "sociológicas" em que eles focam nos campos sociais do conhecimento.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Leitura e produção de texto - aula 22 - Gêneros Textuais: resenha

Como elaborar uma resenha


1. Definições

Resenha-resumo:
     É um texto que se limita a resumir o conteúdo de um livro, de um capítulo, de um filme, de uma peça de teatro ou de um espetáculo, sem qualquer crítica ou julgamento de valor. Trata-se de um texto informativo, pois o objetivo principal é informar o leitor.

Resenha-crítica:
     É um texto que, além de resumir o objeto, faz uma avaliação sobre ele, uma crítica, apontando os aspectos positivos e negativos. Trata-se, portanto, de um texto de informação e de opinião, também denominado de recensão crítica.


2. Quem é o resenhista

     A resenha, por ser em geral um resumo crítico, exige que o resenhista seja alguém com conhecimentos na área, uma vez que avalia a obra, julgando-a criticamente.


3. Objetivo da resenha

     O objetivo da resenha é divulgar objetos de consumo cultural - livros,filmes peças de teatro, etc. Por isso a resenha é um texto de caráter efêmero, pois "envelhece" rapidamente, muito mais que outros textos de natureza opinativa.


4. Veiculação da resenha

     A resenha é, em geral, veiculada por jornais e revistas.


5. Extensão da resenha

     A extensão do texto-resenha depende do espaço que o veículo reserva para esse tipo de texto. Observe-se que, em geral, não se trata de um texto longo, "um resumão" como normalmente feito nos cursos superiores ... Para melhor compreender este item, basta ler resenhas veiculadas por boas revistas.


6. O que deve constar numa resenha

Devem constar:
  • O título
  • A referência bibliográfica da obra
  • Alguns dados bibliográficos do autor da obra resenhada
  • O resumo, ou síntese do conteúdo
  • A avaliação crítica
  • http://www.pucrs.br/gpt/resenha.php

domingo, 21 de setembro de 2014

Leitura e produção de texto - aula 21 - Gêneros Textuais: resumo



  
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Como elaborar resumos
 Uma seqüência de passos eficiente para fazer um bom resumo é a seguinte:

  1. ler atentamente o texto a ser resumido, assinalando nele as idéias que forem parecendo significativas à primeira leitura;
  2. identificar o gênero a que pertence o texto (uma narrativa, um texto opinativo, uma receita, um discurso político, um relato cômico, um diálogo, etc.
  3. identificar a idéia principal (às vezes, essa identificação demanda seleções sucessivas, como nos concursos de beleza...);
  4. identificar a organização - articulações e movimento - do texto (o modo como as idéias secundárias se ligam logicamente à principal);
  5. identificar as idéias secundárias e agrupá-las em subconjuntos (por exemplo: segundo sua ligação com a principal, quando houver diferentes níveis de importância; segundo pontos em comum, quando se perceberem subtemas);
  6. identificar os principais recursos utilizados (exemplos, comparações e outras vozes que ajudam a entender o texto, mas que não devem constar no resumo formal, apenas no livre, quando necessário);
  7. esquematizar o resultado desse processamento;
  8. redigir o texto.
  9. http://www.pucrs.br/manualred/resumos.php

sábado, 20 de setembro de 2014

Leitura e produção de texto - aula 20 - Repertório e leitura

Você sabe o que é Intertextualidade?

A intertextualidade pode ser definida como um diálogo entre dois textos. E texto no sentido amplo: um conjunto de signos organizados para transmitir uma mensagem, portanto, no mundo atual da multimídia, ela acontece entre textos de signos diferentes.

Veja um exemplo de intertextualidade explorado por exame vestibular da Unesp.
Para que mentir? 

Para que mentir
Tu ainda não tens
Esse dom de saber iludir?
Pra quê? Pra que mentir,
Se não há necessidade
De me trair?
Pra que mentir
Se tu ainda não tens
A malícia de toda mulher?
Pra que mentir, se eu sei
Que gostas de outro
Que te diz que não te quer?
Pra que mentir tanto assim
Se tu saber que eu te quero
Apesar de ser traído
Pelo teu ódio sincero
Ou pó teu amor fingido?
(Vadico e Noel Rosa, 1934)
Dom de iludir 
Não venha falar na malícia 
De toda mulher 
Cada um sabe a dor e a delícia 
De ser o que é. 
Não me olhe como se a polícia 
Andasse atrás de mim. 
Cale a boca, e não cale na boca 
Notícia ruim. 
Você sabe entender, tudo bem. 
Você está, você é, você faz. 
Você quer, você tem. 
Você diz a verdade, a verdade 
É o seu dom de iludir. 
Como pode querer que a mulher 
Vá viver sem mentir. 
(Caetano Veloso, 1982) 

O poema– canção: "Pra que mentir?" foi escrito por Noel Rosa em 1934, em parceria com o compositor paulista Osvaldo Glogliano, o Vadico. 

Caetano, em 1982, compôs Dom de Iludir, estabelecendo uma imaginária correlação dialogal com o poema de Noel. Na música, Caetano Veloso mantém um diálogo explícito com a de Vadico/Noel Rosa. 

Na literatura e, até mesmo nas artes, a intertextualidade é persistente, qualquer assunto que se refere a assuntos abordados em outros, é exemplo de intertextualização. Toda vez que uma obra fizer alusão (Referência explícita ou implícita a uma obra de arte) à outra ocorre a intertextualidade. 

Dentre a intertextualidade explícita, temos vários gêneros, como: epígrafe, citação, referência, alusão, paráfrase, paródia. 
Epígrafe: 

Do grego epi = em posição superior + graphé = escrita) constitui uma escrita introdutória de outra.

A Canção de Exílio, de Gonçalves Dias, apresenta versos introdutórios de Goethe, dom a seguinte tradução: “conheces o país onde florescem as laranjeiras? Ardem na escura fronde os frutos de ouro... Conhecê-lo? Para lá, para lá quisera eu ir!”

A epígrafe e o poema mantem um diálogo, pois os dois têm características românticas, pertencem ao gênero lírico e possuem caráter nacionalista.

Citação: 

É uma transcrição de texto alheio, marcada por aspas. A música Cinema Novo, de Caetano Veloso, faz citações:

O filme quis dizer ‘Eu sou o samba’
A voz do morro rasgou a tela do cinema
E começaram a se configurar
Visões das coisas grandes pequenas
Que nos formaram e estão a nos formar
Todos e muitos: Deus e o Diabo, Vidas Secas, os Fuzis,
Os cafajestes, o Padre e a Moça, a Grande Feira, o Desafio
Outras conversas, outras conversas sobre os jeitos do Brasil.

Na citação sobre o samba, Caetano Veloso diz que o Cinema Novo quer representar o Brasil, como fez o samba da época de Carmem Miranda.

Referência e Alusão: 


Machado de Assis é mestre nesse tipo de intertextualidade. Ele foi um escritor que visualizou o valor desse artifício no romance bem antes do Modernismo. No romance Dom Casmurro, ele cita Otelo, personagem de Shakespeare, para que o leitor analise o drama de Bentinho.

Paráfrase: 

A paráfrase é a reprodução do texto de outrem com as palavras do autor. Ela não confunde com o plágio porque seu autor explicita a intenção, deixa claro a fonte. Exemplo de paráfrase é o poema Oração, de Jorge de Lima:
“- Ave Maria cheia de graças...”
A tarde era tão bela, a vida era tão pura,
as mãos de minha mãe eram tão doces,
havia, lá no azul, um crepúsculo de ouro... lá longe...
“- Cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita!”
Bendita!
Os outros meninos, minha irmã, meus irmãos
menores,
meus brinquedos, a casaria branca de
minha terra, a burrinha do vigário
pastando
junto à capela... lá longe...
Ave cheia de graça
"...bendita sois entre as mulheres, bendito é o
fruto do vosso ventre...”
E as mãos do sono sobre os meus olhos,
e as mãos de minha mãe sobre o meu sonho,
e as estampas de meu catecismo
para o meu sonho de ave!
E isto tudo tão longe... tão longe... 


O autor retoma explicitamente a oração Ave Maria e mantém-se fiel a ele, justapõe a figura de Maria à da sua mãe, refere-se à hora do Angelus
Paródia é a criação de um texto a partir de um bastante conhecido, ou seja, com base em um texto consagrado alguém utiliza sua forma e rima para criar um novo texto cômico, irônico, humorístico, zombeteiro ou contestador, dando um novo sentido ao texto.
Essa intertextualidade também pode ocorrer em pinturas, no jornalismo e nas publicidades.
http://aprendaproduzir.blogspot.com.br/2009/06/voce-sabe-o-que-e-intertextualidade.html

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Leitura e produção de texto - aula 19 - A montagem do texto



Seis dicas para um brainstorm efetivo (o que é brainstorm?)

17 de fevereiro de 2013, 18:11 
Se você quiser conduzir um brainstorm que dê frutos, estimule e convide pessoas diferentes, não deixe só o líder falar, não perca o foco, anote tudo, não divague e não descarte uma ideia logo de cara.
Eu já devo ter participado de uns 9872 brainstorms. Essa técnica faz parte da vida de qualquer redator que trabalhe com criação. Porém talvez você não trabalhe numa agência de publicidade e sequer saiba o significado dessa palavrinha – a saber: brainstorm, do inglês, brain = cérebro e storm = chuva. Se esse é seu caso, tudo bem, leia o parágrafo abaixo para entender que diabo é isso. Caso você já saiba o que é brainstorm e queira ir direto para as dicas de como conduzir um, pode pular o parágrafo, sem medo de ser feliz.
Brainstorm é uma técnica criada para ajudar a criar. A ideia, de um grande publicitário, foi mais ou menos a seguinte: reunir um grupo de pessoas, apresentar a eles um problema e pedir que todos proponham diferentes soluções, dizendo tudo que vier a mente, praticamente sem filtros. Brainstorm é isso aí. Agora se você quiser saber como conduzir um brainstorm decente (e efetivo), ler as dicas abaixo pode ajudar bastante.

1. Convide pessoas diferentes para participar

Um médico, normalmente, pensa muito diferente de um antropólogo, que pensa diferente de um contador, que pensa diferente de um poeta, que pensa diferente de um pastor evangélico. Imagina que legal ouvir o que cada uma dessas pessoas pensa sobre como solucionar um problema.

2. Não deixe só o líder falar

A cena é clássica: você coloca três pessoas juntas e, em instantes, alguém já se elege líder do grupo e quer monopolizar a atenção. Não deixe isso acontecer no seu brainstorm. Todos devem falar, todos devem ouvir. Essa é a ideia chave da brincadeira, e se não sabe brincar, não desce pro play.

3. Seja legal, mas não perca o foco

O brainstorm pode e deve ser descontraído para incentivar a criatividade dos participantes, mas ficar divagando sobre o último episódio do Bob Esponja não vai ajudar em nada, sério. Foco é o segredo.

4. Anote tudo

Eu li num muro que ideias são como pássaros, é preciso tomar cuidado para que não voem para longe. Ok, eu não li isso em muro nenhum e a metáfora foi péssima, mas você entendeu. Faça anotações ou você vai esquecer tudo antes de lembrar o que comeu ontem no almoço.

5. Não fique divagando infinitamente

Se depois de algum tempo, ninguém conseguir pensar em mais nada, o melhor conselho é… desencanar. Procure fazer outro brainstorm em outro horário, de preferencia com pessoas diferentes.

6. Não subestime nem descarte uma ideia logo de cara

Tente não cortar o barato de algum participante que esteja dissertando sobre sua ideia todo empolgado. Se você achou a ideia horrível, não o desencoraje, apenas anote. Por mais que uma ideia pareça boba à primeira vista, depois, aperfeiçoada ou analisada com calma, talvez ela seja, literalmente, a solução pro seu problema. [Webinsider]
- See more at: http://webinsider.com.br/2013/02/17/seis-dicas-para-um-brainstorm-efetivo-o-que-e-brainstorm/#sthash.l5wfeCTV.dpuf

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Leitura e produção de texto - aula 18 - A estrutura do texto

A produção textual - Uma análise discursiva

Redigir um texto parece, para muitos, um procedimento difícil... Concepção esta que, caso não seja aprimorada, acaba se tornando um estigma e, consequentemente, um entrave para o emissor no decorrer de sua trajetória cotidiana. O fato é que o ato da escrita requer do emissor determinadas habilidades que envolvem conhecimentos de forma específica. 

Em uma primeira instância, reportamo-nos à ideia de que todo discurso tem um fim em si mesmo, ou seja, perfaz-se de uma intenção que se caracteriza de acordo com os objetivos que se deseja alcançar com a mensagem ora transmitida. Intenções essas materializadas sob a forma de um texto informativo, instrutivo, persuasivo, humorístico, didático, dentre outros. Desta feita, torna-se imprescindível que o emissor parta deste princípio: o que se busca mediante o trabalho com a linguagem?

Tais pressupostos tendem a se reafirmar quando comparados à fala de José Saramago: As palavras são apenas pedras a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é o que importa. 
Numa transcrição do metafórico para o sentido real, temos que “as pedras” que atravessam a corrente de um rio nada mais são que o acervo lexical que a língua nos proporciona e este acervo vai se incorporando ao nosso vocabulário à proporção que desenvolvemos o hábito de leitura. Mas elas não são suficientes para chegarmos “à outra margem do rio”, pois neste ínterim também estão correlacionados dois outros fatores de considerável relevância – os conhecimentos linguísticos (gramaticais) e o próprio conhecimento de mundo –, sendo que este último envolve o condicionante social, haja vista que para discorrermos acerca de um determinado assunto, temos que, necessariamente, elencar os argumentos que a ele faz referência. 

Quando o autor nos revela que o foco principal é a “outra margem”, visto que somente ela é o que na verdade importa, essa margem nada mais é do que o texto propriamente dito. Mas quais os caminhos para se chegar a esse destino? Será o texto um emaranhado de ideias nas quais palavras se fundem formando um todo desconexo? Certamente que estamos convictos da não veracidade desta prerrogativa.

Um texto se constrói a partir da combinação perfeita entre as palavras, consequentemente dispostas em frases, períodos subsequentes e, por fim, manifestadas em parágrafos formados por um todo coeso, claro e coerente. Outro aspecto que aqui se evidencia é o fato de que constantemente o emissor precisa fazer uma releitura de sua produção, pois, no momento em que está redigindo não se atém para possíveis falhas que porventura incidam diretamente na qualidade da mensagem. Ao realizar tal procedimento, ele poderá acrescentar e/ou suprimir elementos, contribuindo assim para o aprimoramento da performance discursiva.
http://www.portugues.com.br/redacao/a-producao-textual---uma-analise-discursiva-.html